Gestão do negócio

Contratar CLT, PJ ou freelancer: o que muda para o pequeno negócio em custo e risco

Resposta rápida

A escolha entre CLT, PJ e freelancer é definida pelo tipo de trabalho, não pelo custo. Trabalho contínuo, com horário, subordinação e exclusividade, é emprego, e contratar como PJ nesse caso gera vínculo reconhecido na Justiça com o passivo inteiro. PJ cabe para serviço com autonomia e entrega definida. Freelancer cabe para tarefa avulsa, sem habitualidade. O custo menor do PJ só é real quando o formato é verdadeiro.

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O que você vai encontrar neste artigo

· Leitura de 5 min

CLT, PJ ou freelancer: o que muda para o seu negócio

Em resumo

  • Horário fixo, chefe e exclusividade: é CLT, não importa o contrato.
  • PJ é para serviço com autonomia e entrega; o contrato precisa refletir isso de verdade.
  • Freelancer é para tarefa pontual; quando vira rotina, virou um dos dois acima.

O que define cada formato

FormatoO que éServe paraCusto além do valor combinado
CLTEmprego com carteira assinadaTrabalho contínuo, com horário e subordinaçãoFGTS, férias com um terço, décimo terceiro, encargos e verbas de rescisão
PJContrato com empresa ou MEI do prestadorServiço com autonomia, entrega e prazoNenhum encargo; retenções na nota em alguns serviços
Freelancer (autônomo)Pessoa física prestando serviço avulsoTarefa pontual, sem habitualidadeINSS sobre o recibo (RPA) e IR retido de acordo com o valor

A Justiça do Trabalho não olha o nome do contrato. Ela olha quatro coisas. Se o trabalho é feito pela própria pessoa. Se acontece com frequência. Se o pagamento é regular. E se existe subordinação, ou seja, alguém mandando como e quando fazer. Com as quatro presentes, é emprego.

Quanto custa um funcionário CLT de verdade

O salário é a menor parte da surpresa. Sobre ele a empresa paga FGTS todo mês. Guarda um mês de férias mais um terço por ano. Guarda um décimo terceiro por ano. E recolhe a parte do INSS que cabe a ela, que muda com o regime. No Simples Nacional, essa parte já vem embutida na guia na maioria dos anexos. Na saída ainda entram o aviso prévio e a multa do FGTS na demissão sem justa causa.

A regra de bolso que os contadores usam é simples. O custo total fica entre uma vez e meia e quase o dobro do salário. Isso muda com o regime e com os benefícios. O contador dá o número exato do seu caso. O que importa aqui é não planejar a contratação pelo salário anunciado.

Guardar por mês é o hábito que evita o susto. Separe todo mês a parte do décimo terceiro e das férias. Numa conta, ou numa linha do fluxo. Em dezembro e no mês das férias, o dinheiro já está lá.

Quando o PJ é legítimo e quando é risco

  • Legítimo: um designer que atende vários clientes, entrega por projeto, decide o horário e usa as próprias ferramentas.
  • Legítimo: um contador ou uma agência de marketing que presta serviço para a sua empresa e para outras.
  • Risco: um atendente que trabalha só para você. Das oito às dezoito, na sua loja, com o seu sistema. Recebendo todo mês o mesmo valor, contratado como MEI.
  • Risco: pedir para o funcionário abrir um CNPJ para continuar fazendo o mesmo trabalho, com menos custo.

No caso de risco, a economia é emprestada. Se a relação é reconhecida como vínculo, a empresa paga tudo o que não pagou, com multa e juros, de uma vez. O prazo para o trabalhador reclamar corre por anos depois do fim da relação.

Como decidir para a sua vaga

  1. Descreva o trabalho: é uma entrega com prazo, ou uma presença com horário?
  2. Pergunte quem manda no como e no quando. Se é você, é subordinação.
  3. Pergunte se a pessoa pode trabalhar para outros ao mesmo tempo, de verdade. Se não pode, é exclusividade.
  4. Se as respostas apontam para emprego, contrate CLT e calcule o custo total antes.
  5. Se apontam para serviço autônomo, contrate PJ com contrato que descreva entregas, não jornada.
  6. Se é tarefa única, contrate freelancer com recibo e recolhimento certo.

Quando ainda não é hora de contratar

Olhe o trabalho que está sobrando. Se ele é repetitivo e cabe numa regra, a primeira contratação pode ser uma automação, e não uma pessoa. É o caso de responder as mesmas perguntas, confirmar horário e mandar cobrança. Contratar alguém para fazer o que uma rotina resolve cria custo fixo à toa. A pessoa entra quando o trabalho exige julgamento, presença ou relacionamento.

Como isso entra no seu controle do dia a dia

A decisão de contratar precisa de dois números que o seu controle já dá. O primeiro é o novo ponto de equilíbrio, somando o custo total da vaga às contas fixas. O segundo é o volume de trabalho que justifica a vaga, medido em atendimentos, pedidos ou horas por dia. Sem os dois, contratar é aposta.

Depois da contratação, o mesmo controle mostra se a vaga se pagou. Ou o faturamento subiu mais do que o custo fixo. Ou o dono só trocou o próprio tempo por uma despesa.

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Perguntas frequentes

Posso contratar um MEI para trabalhar todo dia na minha loja?
Não como MEI. Trabalho diário, com horário e subordinação, é emprego, e o contrato de MEI não muda isso. O risco é o reconhecimento de vínculo com todo o passivo.
Freelancer precisa de nota fiscal?
Pessoa física emite recibo de pagamento a autônomo (RPA), com INSS e, de acordo com o valor, IR retido. Se ele tem CNPJ, emite nota como PJ.
Qual é o custo real de um funcionário CLT?
Entre uma vez e meia e quase o dobro do salário, somando FGTS, férias, décimo terceiro e encargos, de acordo com o regime. O contador calcula o exato.
Experiência de noventa dias vale a pena?
O contrato de experiência é CLT desde o primeiro dia, com todos os direitos. Ele só facilita o desligamento no prazo, com menos verbas de rescisão.
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