Gestão do negócio

MEI ou ME: como saber a hora de sair do MEI e virar microempresa

Resposta rápida

Sai do MEI quem passa do teto de faturamento do ano. Também quem precisa do segundo funcionário, quem passa a fazer atividade fora da lista, ou quem quer sócio. Virar microempresa muda a guia: sai o valor fixo e entra uma porcentagem do faturamento. E passa a exigir contador.

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O que você vai encontrar neste artigo

· Leitura de 5 min

MEI ou ME: quando sair do MEI e virar microempresa

Em resumo

  • Quatro coisas tiram você do MEI: passar do teto, o segundo funcionário, atividade proibida ou sócio.
  • Na ME o imposto vira percentual do faturamento e a contabilidade passa a ser obrigatória.
  • Sair antes de ser obrigado costuma custar menos do que ser desenquadrado de ofício.

O que o MEI permite e o que ele não permite

O Microempreendedor Individual é o formato mais simples de empresa no Brasil. É uma guia mensal de valor fixo, sem contador obrigatório. Vem com CNPJ, nota fiscal e cobertura da previdência. Em troca, ele tem limites que não se negociam.

  • Teto de faturamento por ano, definido em lei (confira o valor vigente no Portal do Empreendedor, porque ele é revisto).
  • No máximo um funcionário, com salário de até um mínimo ou o piso da categoria.
  • Lista fechada de atividades permitidas. Profissões regulamentadas, como advocacia, medicina e engenharia, ficam de fora.
  • Nenhum sócio: MEI é individual. Também não pode ser sócio ou titular de outra empresa.

Enquanto o negócio cabe dentro disso, o MEI é imbatível em custo e simplicidade. O problema aparece quando o negócio cresce e o dono continua fingindo que cabe.

Quais são os sinais de que chegou a hora de virar ME

  1. O faturamento dos últimos doze meses está perto do teto, ou vai passar até o fim do ano.
  2. Você precisa de uma segunda pessoa registrada e a primeira já está contratada.
  3. Apareceu um cliente grande que exige nota com um serviço que não está na sua lista de atividades.
  4. Alguém quer entrar como sócio, com dinheiro ou com trabalho.
  5. Você recebe por uma atividade que a lista do MEI não cobre, e vem emitindo nota com outra descrição para caber.

O quinto sinal é o mais perigoso, porque parece funcionar. Nota fiscal com descrição que não bate com o serviço prestado é irregularidade. E o cliente que recebeu essa nota também fica com um problema, quando ela for auditada.

O que acontece quando o MEI passa do teto

Há duas faixas. Se o faturamento do ano passar do teto em até vinte por cento, o MEI paga a diferença de imposto sobre o que excedeu. E sai do MEI a partir do ano seguinte, virando microempresa. Se passar de mais de vinte por cento, a saída vale desde janeiro daquele ano. Aí o imposto de microempresa é recalculado sobre tudo, com multa e juros.

Por isso quem vê que vai passar muito do teto costuma pedir a saída antes. Sai mais barato pagar como ME desde o mês certo do que ser cobrado lá atrás.

O que muda de MEI para ME no dia a dia

ItemMEIME no Simples
Imposto mensalValor fixo (DAS-MEI)Percentual do faturamento (DAS), por anexo e faixa
ContadorOpcionalNecessário na prática: apuração, folha, declarações
FuncionáriosUmSem limite legal; custo por cada um
SóciosNenhumPermitido
Nota fiscalEmissor nacional ou da prefeituraEmissor municipal ou estadual de acordo com a atividade
Declaração anualDASN-SIMEIObrigações acessórias mensais e anuais, feitas pelo contador

O custo fixo sobe: honorário de contador e um imposto que cresce com a receita. O que se ganha é liberdade para crescer sem o teto e sem a lista de atividades.

Quando sair do MEI não compensa ainda

Se o faturamento está longe do teto, você trabalha sozinho e a atividade está na lista, sair do MEI só aumenta custo. A conta mais simples é esta. Some o honorário anual do contador e o imposto estimado como ME. Compare com a guia fixa do MEI vezes doze. Enquanto a diferença for grande e o negócio couber nos limites, fique.

O que não vale é ficar no MEI por hábito depois de ter ultrapassado um dos quatro limites. Nesse caso a economia é ilusória: o custo aparece depois, com juros.

Como isso entra no seu controle do dia a dia

A decisão de sair do MEI depende de um número que muita gente não acompanha. O faturamento somado dos últimos doze meses. Um registro simples de tudo que entra, por mês, responde em segundos se o teto está perto. Sem esse registro, o dono descobre que passou quando o contador ou a Receita avisa. E aí já é tarde para a saída barata.

O mesmo registro serve para o segundo sinal. Se o dono já não dá conta do atendimento sozinho, e o único funcionário também não, olhe o volume de conversas e pedidos por dia. É esse número que mostra que a estrutura ficou pequena.

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Perguntas frequentes

Posso ter MEI e trabalhar registrado ao mesmo tempo?
Pode, na maioria dos casos. Servidor público e algumas categorias têm restrição. Quem recebe seguro-desemprego perde o benefício ao abrir MEI.
MEI pode contratar mais de um funcionário?
Não. O limite é um funcionário. Precisar do segundo é um dos gatilhos para virar ME.
Se eu virar ME, perco o CNPJ?
Não. O CNPJ continua o mesmo. O que muda é o enquadramento tributário e as obrigações.
Quem pede o desenquadramento?
O próprio MEI, no Portal do Simples Nacional, ou a Receita, de ofício, quando identifica que um limite foi ultrapassado.
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